Um farol solitário

Cansada. Triste. Querendo mudar. Tentando arrumar minhas coisas. Tentando ME arrumar. Tentando me motivar.
Vi uma foto minha de uns anos atrás

.. talvez dois ou três. Aliás, mais de uma. não sabia que tinha me deteriorado tanto. Como eu faço pra voltar ao que era? o que aconteceu comigo? A verdade é que estou sempre, constantemente pensando que tenho que voltar ao que era, que estou em mau estafo. Mas aí, um ou dois anos depois, olho pra trás e penso: “como deteriorei. como eu estava bem. e eu achando que precisava melhorar”. E isso continua, se repete. Conclusão: devo estar me deteriorando relativamente rápido.

O que aconteceu comigo? Bom, eu sei o que aconteceu comigo. claro que sei. eu me arruinei. não esperava mais ninguém, e meio que esperei demais. calquei uma parte importante demais da minha vida em ter pessoas comigo e em procurar elas, esoerar elas até, mas não percebi que deveria ter focado em conseguir ser um tigre solitário desde o início… sem esperar, sem procurar muito.

Depois, perdi todo o brilho, tudo se apagou de novo e caí. Já não esperava mais ninguém, nem mais nada DE ninguém, nem de mim. quando a gente não espera ninguém, a gente não tem motivos pra deixar as coisas em ordem, não é? não tem absolutamente nada pra atender nem nada pra arrumar ou por que zelar. Não há nada do que cuidar, nem mesmo de você…. porque você já desistiu, você não vê mais luz. As esperanças de retorno não existem.

Não existe absolutamente ninguém que você espera ou tem a expectativa de ver. Acho que no fundo é isso que move as pessoas e faz elas se organizarem. No fundo elas têm essa expectativa, então elas cuidam do seu ambiente e das suas coisas. Daí elas causam boa impressão nos outros e atendem a si mesmas.

Elas realmente esperam alguém chegar, mesmo que não se dêem conta. Mesmo esse que seja o seu sentimento mais íntimo, enterrado, quem sabe soterrado, mudo e surdo.

Mas não vou dizer que não quero que alguém chegue  É só que, ao mesmo tempo, minhas esperanças praticamente se reduziram a nada. Está tudo em frangalhos.

Como eu vou ser alguém? Eu estava pensando hoje: a verdade é que me recompor poderia até ser fácil, em termos de organização. Difícil será quando eu terminar essa tarefa e me der conta de que sou quem sou, de que não tenho “defeitos” e de que mesmo assim continuo uma inútil na sociedade, sem uma boa posição e sem uma boa aceitação.
Claro, eu sou normal e ao mesmo tempo, por algum motivo que não entendo, não sou.

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